Reta final

22 10 2008

Desde meu primeiro post nesse blog, deixei claro que trataria alguns temas com absoluta parcialidade. A disputa para o título brasileiro de 2008 é um ótimo exemplo. O São Paulo Futebol Clube, mesmo com tropeços inesperados e irregular campanha, desponta – pra variar… – como forte candidato a conquista. A terceira consecutiva, diga-se de passagem. Faltando oito rodadas para o término da competição, a equipe do Morumbi registra em sua tabela quatro jogos dentro de seus domínios, três longe da cidade e um no Canindé, perante a Portuguesa, com maioria absoluta de torcedores tricolores.

 Serão três partidas contra potenciais equipes ao descenso: Fluminense, Portuguesa e o virtualmente rebaixado Vasco. Internacional e Botafogo, teoricamente, são os dois confrontos mais difíceis para o time de Muricy Ramalho, porém, o acaso favorece os paulistas. Ambos os jogos estão marcados para a véspera de duelos importantes de gaúchos e cariocas pela Copa Sul-Americana. Com a possibilidade do foco ser transferido para o campeonato internacional, o Tricolor deve ser favorecido.

 Os jogos com Vitória e Figueirense, ambos no Morumbi, e Goiás, marcado para o Serra Dourada, completam a tabela tricolor. Pelo fato do confronto com a equipe esmeraldina ser na última rodada do torneio e o clube ocupar uma posição intermediária na tabela, espera-se que não haja mais qualquer pretensão no campeonato e o São Paulo seja, novamente, beneficiado pelos acasos do futebol.

 Exceção feita ao Flamengo que jogará a maior parte da reta final dentro do Maracanã e poderia fazer o fator casa pesar na corrida pelo título, o São Paulo ostenta a melhor seqüência de jogos rumo a conquista. Porém, com o comando de Caio Júnior no clube da Gávea, não há com que se preocupar. Treinador de time pequeno, face e atitudes de derrotado. Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio enfrentam adversários mais duros, incluindo confrontos entre si.

 Caro torcedor são-paulino, tenho o prazer de afirmar com toda a convicção que o posto de maior clube do país e o 5-3-3 me permitem: chegou a hora de encomendar a faixa! O Hexa vem aí!





É guerra!

18 10 2008

Que o jogo entre Palmeiras e Corinthians é o maior clássico do futebol paulista, ninguém discute. Trata-se do confronto entre as duas mais tradicionais equipes do estado. Historicamente, o derby, como é apelidado o embate, sempre foi a disputa mais esperada do campeonato para os torcedores de ambos os clubes. Os dias que antecedem a partida transpiram rivalidade. Nos últimos anos, porém, a luta entre alviverdes e alvinegros perdeu seu posto de imagem exclusiva de representação da hegemonia do futebol de São Paulo.

 Fundado em 1935, o São Paulo Futebol Clube é o caçula dentre os grandes. Curiosamente, atualmente constata-se ser também o mais vitorioso. Com a alcunha de Majestoso, a disputa entre Corinthians e o time do Morumbi possui seu charme característico, contudo, não consegue sequer se aproximar de toda a exuberância e glamour de um Choque-Rei. Palmeiras e São Paulo. Contra o clube de Parque São Jorge, diria o palmeirense, é rivalidade; com o São Paulo é guerra!

 Ao longo dos anos, episódios – alguns banais, outros nem tanto – contribuíram para a formação desse ódio assumido entre as duas equipes. Acusado de ser um time fascista pelo São Paulo, o Palmeiras, até então Palestra Itália, precisou alterar seu nome original e o título de seu estádio para que não sofresse conseqüências mais sérias. O Palestra Itália transformou-se em Parque Antártica.

 Ídolo são-paulino, Cafú transferiu-se para o futebol do exterior após sagrar-se campeão do mundo com o clube do Morumbi. Antes de sair, assinou um contrato que não poderia jogar novamente no país durante todo o ano seguinte. Passaram-se poucos meses e o lateral retornou ao futebol brasileiro. Vestiu verde e fez parte do esquadrão palmeirense montado pela patrocinadora Parmalat. O caso foi parar na justiça para que o atleta pudesse atuar normalmente. Acusados por dirigentes tricolores de aliciar o jogador de maneira ilícita, cartolas palmeirenses rebatiam as acusações via imprensa. A relação entre as duas instituições ficou extremamente estremecida.

 Em 1994, ocorreu o mais triste caso envolvendo São Paulo e Palmeiras. Decisão da Copa São Paulo de Juniores, Pacaembu. Torcedores das duas equipes invadem o gramado armados com pedaços de madeira e pedras vindos de uma caçamba situada próxima ao estádio, além de mastros das – até então permitidas – grandes bandeiras dos clubes e torcidas organizadas. O futebol deu lugar a vandalismo, violência e mortes.

 Mais recentemente, 2006, o São Paulo decidiu se vingar do caso Cafú. Recém formado nas categorias de base palestrinas e com o contrato em fase final, Ilsinho, promissor ala-direito, fez o caminho inverso do capitão do Penta campeonato mundial da seleção brasileira. Jogou apenas alguns jogos como profissional do Palmeiras, foi para o tricolor e sagrou-se campeão brasileiro. Obviamente, dirigentes alviverdes não perderam a oportunidade de afirmar que a ação do rival havia sido ilegal.

 O campeonato paulista de 2008 marcou a polêmica mais recente do Choque-Rei. Segundo jogo da semifinal, Parque Antártica. Intervalo da partida, jogadores descem para seu respectivos vestiários, mas os atletas São Paulinos retornam para a superfície do gramado rapidamente. O local fora infestado de gás de pimenta. Alguns atletas e dirigentes se sentiram mal. A culpa do caso não foi assumida por ninguém. São-paulinos afirmam se tratar de uma artimanha do rival para atrapalhar o rival. Palmeireses, por outro lado, garantem que nada fizeram e que o gás veio de mãos tricolores apenas para colocar a culpa no dono da casa e na falta de segurança de seu estádio.

 Fato é que o clássico ganha a cada ano mais importância entre os torcedores. Não se pode mais esperar um São Paulo e Palmeiras tranqüilo. Em jogos decisivos, a certeza de polêmica é ainda maior. O Choque-Rei sempre promete fortes emoções – e problemas, também.





A realeza do Morumbi

4 10 2008

Descrever o São Paulo Futebol Clube é simples. Trata-se da agremiação mais vitoriosa do país, com muito mais visão de mercado e planejamento do que boa parte daqueles que o cercam e, principalmente, destaca-se e foi marcado no decorrer da história como um clube elitista. Os Lordes tricolores. A realeza apontada, porém, abrange muito mais do que a situação econômica ou a guerra de classes sociais. Explica-se como um estado de espírito. Aliás, não se explica. É sentido.

A construção do, até pouco tempo, maior estádio particular do mundo demonstra toda essa descrita ambição são paulina. Projetos ousados marcados pelo vermelho, preto e branco. Consegue-se manter um padrão europeu de competência em meio a mediocridade que assola os campos brasileiros. Inúmeros são os exemplos. O Reffis, referência mundial no tratamento de atletas lesionados, CCT’s (Centros de Concentração e Treinamento) que são equiparados aos melhores do mundo, memorial de títulos e, mais recentemente, loja personalizada e bar temático, ambos nas proximidades do Morumbi.

Assistir a jogos, especialmente os decisivos, da Copa Libertadores da América dentro do estádio tricolor é um espetáculo ímpar. Digno de grandes apresentações circenses. Luzes, fogos e gritos que enlouquecem de alegria até o mais frio dos torcedores. Não há como não se manifestar. São mais de setenta mil pessoas absolutamente ensandecidas. O gigante de concreto ganha vida.

A tendência é que o São Paulo continue muito a frente de seus rivais pelos próximos vários anos. Não só em títulos, como em estrutura e inovações no meio do futebol. Do futebol paulista, é o único clube legitimamente democrático. Detalhes que fazem a diferença e refletem no bom trabalho dentro e fora de campo. Enquanto isso, as demais equipes, os plebeus do futebol, seguem assistindo e admirando a competência do clube da elite. O clube dos Lordes. Por ora, resta correr atrás, se levantar e aplaudir.

São Paulo FC – A elite do futebol, o futebol da elite!





Os eleitores invisíveis de Paulo Maluf

2 10 2008

O período de eleições é sempre marcado pela troca de farpas entre os candidatos envolvidos. Em São Paulo, capital financeira e locomotiva do país, não há qualquer possibilidade de ser diferente. Pelo contrário. A disputa para o cargo de prefeito é acirrada e repleta de acusações. Em 2008, Marta Suplicy, Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin disputam duas das três vagas no segundo turno, com destaque para a ampla vantagem da petista, segundo as pesquisas.

Em segundo plano, misturam-se os eternos candidatos sem votos, Levy Fidelix e seu simpático Aerotrem, por exemplo, e os novatos que buscam fortalecer o nome para uma próxima disputa, como é o caso de Soninha, ex-comentarista de futebol. Porém, a capital paulista mantém uma situação curiosa. Paulo Maluf – e quem nunca passou por uma obra da Maluf? – é candidato, recebe ainda votos pela fidelidade de seu eleitor, mas passa longe da vitória.

Desde que decidiu apoiar o eleito, porém fracassado, Pitta nas Eleições de 1996 para o mesmo cargo que hoje concorre, Maluf perdeu força com seu nome. Escândalos surgiram, eleitores repensaram. E lá se foram preciosos milhares e milhares de votos. Elegeu-se deputado federal, é verdade, mas não foi preciso muito. Seus fiéis seguidores foram o bastante para retornar a política. A questão é: é o suficiente? Um homem como Paulo Maluf ser apenas mais um, eleito dentre tantos outros.

Para ser mais do que um coadjuvante da política nacional, Maluf precisa de mais. Necessita da volta de seus eleitores invisíveis. Explico. Quantas são as pessoas que falam de peito aberto que votarão na sigla 11 para prefeito? Nos últimos tempos, poucos, pouquíssimos. Contudo, votos são computados e ultrapassam os números apontados pelas pesquisas.

O motivo real desse fenômeno de votos invisíveis é simples. A sociedade é coagida para não mais dar crédito à Paulo Maluf. Meios de comunicação incitam isso. Políticos concorrentes, também. Pessoas sentem vergonha de admitir que votarão em um dos prefeitos que mais trabalhou pela cidade, mesmo com todas as acusações de falcatruas em sua gestão, que, diga-se de passagem, não passam de indícios sem concretas provas. Até chegar frente a frente com a urna eletrônica, a situação se mantém. No momento de votar, porém, não há quem ache ruim, quem critique, é uma decisão única e exclusiva do eleitor. Muitos, ainda sem admitir, digitam o número um duas vezes. Paulo Maluf, 11! Voto computado. E deixam a sessão eleitoral carregando toda a hipocrisia da negação da escolha de quem irá administrar a cidade. Eleitores invisíveis, mas, mesmo assim, eleitores.





Prazer, Gritaria de Idéias.

2 10 2008

Depois de quase dez oficiais meses como futuro jornalista, decidi, enfim, criar um blog e aderir a moda de oitenta por cento dos estudantes de jornalismo. Não foi feito antes por motivos diversos. Tempo, criatividade para definir o nome – e como podem notar pela escolha, continuou em falta – e, principalmente, dificuldade para delimitar um único assunto a ser abordado. Falhei, também. Não há tema específico. Futebol, claro, deve ser mais debatido. Questão de paixão nacional – e pessoal. Política, cultura, música, diversão, esportes variados e, pasmem, economia também serão discutidos. Ouvir os comentários de Carlos Sardenberg quase todos os dias em fizeram simpatizar mais com o mundo econômico. Mas (ainda) não fiquei louco, continuo detestando números.

O Gritaria de Idéias não nasce com o propósito de ser classificado como conteúdo jornalístico. É o espaço que um [futuro] jornalista escreve, apenas. Amplificar pensamentos. Ser imparcial ou politicamente correto neste endereço está longe de qualquer pretensão minha. Talvez poste todos os dias. Duas vezes na semana. Uma vez. Não sei. Com o tempo descubro qual a real boa vontade de escrever por aqui. E o quanto de tempo terei para isso.